Círculo de fogo (Pacific Rim) [review] by Eiti

circulo_de_fogoOlá pessoal! Eu gosto de assistir filmes, mas raramente tenho animo de ir para um cinema. Não que eu tenha problemas com cinemas, mas a falta tempo e disposição para ir ao cinema é maior e acabo esperando o lançamento dele em DVD (e no fim não assisto a maioria dos blockbuster por ter muito filme melhor disponível em DVD do que em cartaz). Esses dias fui assistir o filme “Círculo de fogo” com direção do Guillermo Del Toro.

O filme não tem bem uma estória muito profunda. Ele é mais para justificar a luta entre monstros gigantes e robôs e a idéia “O mundo salva o mundo” que o diretor queria apresentar. Logo no início somos apresentados a base desse universo: Os Kaijus (monstros) começaram a sair de uma fenda no pacífico e começaram a atacar vários países, então o mundo se uniu para criar os poderosos Jaeger (os robôs) que devem ser pilotados em dupla, pois o cérebro não aguenta. Por um tempo a humanidade ganhou sem parar, mas os Kaijus começaram a aparecer com mais freqüência e os Jaegers começaram a perder. Então somos apresentados ao Raleigh que perde seu irmão em uma de suas lutas e a sua futura parceira Mako Mori.

O filme é uma grande homenagem aos Tokusatsu e não esconde em nenhum momento as tosqueiras que tem nesse tipo de programa. Para os que não sabem o que é um tokusatsu, são programas televisivos japoneses que fez sucesso em vários países nos anos 80 como Jaspion, Changeman, Ultraman, National Kid, Kamen Rider e os mais conhecidos atualmente Power Rangers.

A parte mais legal é sem dúvida as lutas entre os monstros e robôs. Quem assistiu Power Ranger lembrará as lutas entre Megazord e os Inimigos crescidos. Quem gostava de Ultraman verá os Kaijus quase idênticos, mas ao mesmo tempo diferente. O filme é praticamente “Como seriam os Tokusatsus tivessem mais dinheiro para gastar nas lutas?”. A homenagem não fica apenas na parte visual, mas os combates com poucas armas de fogo e muito corpo a corpo é característico das lutas de tokusatsu. O pouco que usa são aqueles que saem do peito que algumas vezes o Megazord também usava. Tudo tão novo por causa da parte visual, mas ao mesmo tempo tão nostálgico…

Também tem alguns outros detalhes que lembram essas séries como o fato de não mostrar civil morrendo. É claro que comentam que pessoas morrem, mas você nunca verá um civil morrer no filme. Oras, já viu alguém morrer nas séries de Super Sentai e Power Ranger? (Os mais novos nem chegam a arriscar a matar, já vi um que deixava as pessoas depressivas!). Mas isso me deixa a impressão que ele não sabe criar tensões em relação à morte de equipe. A morte de alguns pilotos é comentada tão rapidamente que fica um pouco cômico.

Algumas críticas falam que as partes que não são de lutas são cansativas como a inevitável relação entre os pilotos principais, mas eu acredito que a quebra de ritmo não é tão cansativo. Esses momentos são relativamente curto, mas o problema é que todos são previsíveis. Alguma parte boa? Pelo menos os pilotos estão conectados no momento de controlar os robôs, então a declaração fica com uma única linha e a relação entre pai e filho é até emocionante.

Uma das poucas críticas que eu faço é o conceito “o mundo salvando o mundo”. OK, tem vários países participando da equipe, mas no fim o americano salva o mundo. Tem uma japonesa? Mas o Japão é um país satélite do EUA, então praticamente não conta. E os australianos, chineses e russos? A Austrália tem forte relação com o EUA e é também um país satélite na Oceania. Os chineses têm grande importância para o sucesso do filme (pela atual dependência de Hollywood com o mercado chinês) e parceiro do EUA. O pior é que os pilotos são de Hong Kong, o lado capitalista da China. Os russos estão lá só para falar que algum “inimigo” americano está lá, mas o robô é velho e visualmente atrasado, claro que falam que é o mais potente, mas deixa claro a visão americana dos produtos russos e o pior é que eles morrem!

Outra crítica que eu faço é o fato de não comentarem sobre o fim que os pilotos chineses levaram. Não comentaram sobre a morte deles, mas também não aparece de novo. Parece-me ser um corte feito para que na versão chinesa seja adaptado. Não tenho certeza, mas é algo suspeito.

Resumindo Tudo: O filme promete e cumpre muito bem como uma ótima homenagem aos bons e velhos tokusatsu, sendo um dos poucos que tem uma boa liberdade e respeito a sua fonte original (Alguém se lembra de Dragon Ball Evolution?). Esse filme é uma boa pedida para que pai e filho (pequeno ou grande) curtam juntos o cinema. E as mulheres? Bom, essa fica de incógnita para mim. A maioria dos críticos são homens e não encontrei fontes femininas, mas escutando alguns comentários na saída do cinema, não parece ter sido positiva. O filme acaba sendo tosco de mais para quem não viu os originais, mas se alguém que não assistiu nenhum tokusatsu na infância for assistir comente por aqui!

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9 pensamentos sobre “Círculo de fogo (Pacific Rim) [review] by Eiti

  1. Eu assisti e muito os tokusatsu na infância, houve até uma época que o povo da igreja dizia que era pecado, mas eu gostava tanto que mesmo me sentido pecadora assistia e depois pedia perdão a Deus!!! kkkk Meu Deus como as pessoas da minha igreja tinha um coração simples!!!! Mas eu amava e já estou com vontade de ir amanhã, depois do trabalho assistir!!! Depois te conto como foi!!!

    • Vai lá que para quem gostava de tokusatsu, monstros gigantes e robôs é um filme imperdível! E como assim era um pecado assistir tokusatsu? Quero entender melhor essa história haha

      • Eiti, eu cresci em uma igreja evangélica na qual até assistir televisão era considerado pecado. Imagine assistir produções japonesas! Para o povo da minha igreja desenho com robô gigante, monstros e derivativos era pecado… Mas não pense que era só isso, porque novelas, filmes, desenhos disney também… Enfim… Quando criança eu não tinha discernimento então ficava me sentindo culpada!

    • Olha só, até que tem muitas pessoas que assistiram tokusatsu por aqui. Esses mais velhos eu só conheço de vista (e a abertura que é bem legal), mas ainda assisto alguns kamen riders.

  2. Assisti e o filme agradou, apesar do “jeito” americano do filme, Guillermo Del Toro soube captar a essência dos Tokusatsus Japoneses.
    Espero que uma sequencia esteja nos planos.

    • Apesar de tudo Guillermo Del Toro conseguiu fazer seu papel para agradar os dois lado, pena que o filme não teve muito sucesso no EUA, mas na China foi muito bem e ainda falta um balanço da estréia no Brasil e no Japão que são dois mercados que devem estourar.
      Se tiver um sequencia espero que seja algo relacionado a “era de ouro” dos Jaegers.

  3. Respondendo ao que você disse, havia um Jaeger do Japão. Coyote Tango. Lembra do Jaeger que salva a Mako? Então, Coyote Tango. Aparentemente ele foi destruído em batalha.
    O filme em si não foca muito nos outros, na wiki você pode encontrar uma informação sobre quanto tempo de tela o personagem teve. Sabe quanto tempo os trigêmeos chineses ganharam? 50 SEGUNDOS somados.
    Eu não vejo da forma que você colocou. Se você der uma breve olhada, o robô australiano, o Eureka, destruiu mais Kaijus do que todos os outros jaegers. A habilidade dos pilotos, era inegável. O filme é claro, apela para os clichês, mas é importante lembrar que… mesmo com todos os rótolos de “Gipsy Danger era do EUA, Eureka Striker da Austrália” o filme coloca Mako, uma japonesa, num jaeger americano e quando ela mata o Kaiju com a espada o que ela diz? “For my family!” (Informação Inútil: Eu chorei nessa parte por que achei extremamente emocionante e _ e) o que demonstra que embora hajam sim elementos de uma bela puxada de sardinha pro EUA, ainda sim, o filme exalta a ideia de ~todos~ os países se unindo.
    Eu não consigo acreditar que houve essa intensão de fazer Rússia e China parecerem piores. Comparados aos outros dois jaegers… os seus pilotos são muito mais badass. Inclusive, Cherno Alpha teve várias referências em sua construção e ele é o favorito do Del Toro. É importante dizer que numa guerra, não há tempo para lamentar os mortos. Tanto os pilotos de Crimson Typhoon, quanto de Cherno Alpha, morreram com a maior honraria de um soldado, a morte em batalha.

    Em relação ao público, haviam muitas mulheres na sessão em que eu estava. Mas a maioria acompanhando namorados. Mas o filme tem elementos que agradam sim, devo dizer.

    • A minha crítica está mais centrado no fato do filme alegar que é o mundo salvando o mundo, mas ele tem uma posição americana de mais para alegar isso. Claro que comparando com outros filmes é sim mais internacional, mas ainda assim limitado aos países com alguma importância para os americanos e que façam parte do pacífico. Em fim, é mais uma crítica política do que ao filme.
      Essa parte da mako cortando o kaiju me fez rir um pouco já que ele mostra mais uma característica de tokusatsu, além de ser épico.

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