Ser ou não ser Japa? Eis a questão!

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Olá pessoal! Acredito que todos já fizeram uma pergunta simples como “Quem eu sou?”. Esta pergunta é extremamente genérica e todos vão fazer esta pergunta em algum momento da sua vida. Acredito que no caso de pessoas ligadas a alguma colônia de imigrante vai pensar numa pergunta um pouco mais específica: “Eu sou primeiramente um brasileiro ou um representante da colônia?”.

A primeiro momento a pergunta pode parecer estranha e fácil de responder, mas várias situações do cotidiano complica a situação. Primeiramente todos somos brasileiros, pessoas que nasceram e vivem no Brasil, subordinado ao estado brasileiro. Estar ligado a alguma outra cultura pode parecer que a pessoa está negando o fato de ser brasileiro e não é nacionalista! Ao mesmo tempo, uma pessoa da colônia é bombardeada por perguntas sobre a cultura referente a sua colônia e caso não consiga responder será chamado de “japonês paraguaio” no caso de ser descendente de japonês. Portanto uma pessoa da colônia precisa estar preocupado se deve responder a expectativa de ser brasileiro ou representante da colônia.

Neste texto vou discutir como a minha geração da colônia lida com a situação. Vou tentar fazer um texto racional, mas peço desculpas se ficar parecendo uma desabafo, eu sou um daqueles que vive todo dia a questão e o texto visa apenas racionalizar isso.

Atualmente o Japão é mais conhecido pelo público geral e a Ásia passa a ser algo legal! Os animes passam na TV aberta e mangás estão disponíveis nas bancas! Mas isso não significa que a colônia ficou mais aberto ou sem conflitos e podemos dizer que houve a divisão em três grupos.

Mas antes de entender a diferença entre os grupos, devemos compreender um termo que liga a colônia e os não descendentes. O termo “japonês paraguaio” é usado quando um descendente de japonês não segue os padrões esperado por um “japonês” ou quando não consegue responder as questões que os não descendentes faz a ele. O termo pode parecer engraçado, mas ele tem dois termos que tem uma carga muito forte. Quando fala “japonês” significa que simplesmente a pessoa não é aceita como brasileira. Isso fica pesado, pois normalmente a pessoa alvo do termo é desse jeito porque ele é realmente inserido dentro da cultura brasileira e normalmente isso é o que os pais dele espera que ele consiga fazer. “Japonês” aqui significa que ele não é inserido dentro da sociedade brasileira e falhou ao se afastar da colônia. “Paraguaio” significa que ele não passou em um controle de qualidade que define ele como “japonês”. Isso faz com que ele não seja nem brasileiro, nem representante da colônia brasileira, então ele é o que?

Portante o primeiro grupo que vou mostrar é esse grupo definido como “japonês paraguaio”. A formação do grupo normalmente está ligado aos pais que se afastaram da colônia por desilusão ao Japão ou simplesmente esperavam que o filho fosse melhor incluído dentro do grupo de brasileiro. Normalmente ele será incluído em grupos de não descendentes, mas isso depende de como ele vai aceitar o fato de nunca passar no “controle de qualidade”. A colônia não aceitará ele, pois ele não tem os conhecimentos esperados para ser alguém da colônia.

O segundo grupo é o grupo que na verdade está inserido no grupos dos “otakus”. Este tem apenas contatos com animes e derivados deles como anisong. Ele é aceito como “japonês” para alguém que não é descendente, pois ele faz coisas como ver coisa de japonês, fala termos em japonês e escuta música em japonês. Mas isso não significa que ele está incluso na colônia. Ao menos ele não tem o temor de ser chamado de “japonês paraguaio” e é relativamente bem aceito dentro da colônia como aquele que ainda tem interesse na cultura japonesa.

O terceiro grupo é o grupo que está dentro da colônia japonesa e normalmente forma grupos separados de outros. Normalmente é por causa deste grupo que falam que japonês só junta com japonês (e confesso que estou dentro deste grupo). Este grupo tem um isolamento mais forte do que acontecia com seus pais (algo que quebra a tendência de lentamente se afastar da colônia e juntar com outros grupos) e é causado pela internet. O acesso a internet fez com que todos os produtos culturais como música, séries e filmes seja facilmente acessível. Isso fez com que o grupo ficasse cada vez mais focado em produtos japoneses e afastasse de outros grupos. A diferença com o grupo acima é que este tem um conhecimento mais genérico sobre música japonesa e séries (animes e doramas). Este também acaba formando o padrão definido no “controle de qualidade” feito pelos não descendentes. Pois para ter acesso a produtos culturais japoneses é necessário ter a língua japonesa e está ligado a muitos produtos japoneses por saber japonês.

O isolamento acontece por afinidade de cultura, mas o medo de ser chamado de “japonês paraguaio” também é presente. Se você está dentro de um grupo da colônia, você não é mais testado em ambos os lados. A colônia não irá testar, pois já tem a afinidade cultural e não fará perguntas básicas por ser algo de conhecimento de ambos os lados. Também não será chamado pelos não descendentes, pois ninguém ousaria chamar alguém de um grupo fechado de falso (um certo medo de tornar todos do grupo como seu inimigo), por isso caso não saiba uma pergunta, não chegará ao ponto de chamar de “japonês paraguaio”.

Mas tem a necessidade do grupo ficar isolado de não descendentes? Normalmente isso acontece por falta de assuntos comum para conversar. A diferença entre os produtos culturais cria diferença no pensamento entre as pessoas de forma muito maior que parece. O acesso a culinária japonesa acabou criando uma confusão ainda pior. Atualmente o sushi e o sashimi é conhecido por todos e é tão disseminado que em qual quer churrascaria é possível ver um sushi ou outro, mas isso fez com que muitos acreditassem que não há nada na culinária japonesa que não seja sushi ou sashimi! A situação é tão grave que é até difícil convidar um não descendente a comer uma carne da culinária japones por acreditar que virá uma carne crua!

Resolvi escrever este texto para esclarecer um pouco essa pergunta de porque japonês só junta com japonês. Isso é mais confortável e nem eu vejo como algo totalmente saudável. As colônias tem problemas graves como preconceito e vejo que os descendentes estão se dividindo em dois grupos extremos em relação a isso.

Comentem sobre suas opiniões em relação ao atual estado da colônia japonesa no Brasil! Ficando claro que a visão de não descendentes é tão importante (ou até mais) quanto o da própria colônia.

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5 pensamentos sobre “Ser ou não ser Japa? Eis a questão!

  1. Olá!!

    Seu post tem uma certa lógica. Acho que a pior coisa que um não descendente faz é chamar uma pessoa descente de japa. Poxa, ela é igual a você e tem nome!! Ficava meia revoltada quando chamavam um amigo assim na escola (eu acho que ele nem ligava), mas poxa, eu não gostaria de ser chamada de “ô brasil!”

    Na verdade, tendemos a esperar tanto de outra pessoa sem ao menos conhecer sua origem. Se você é japonês, mora aqui mas não sabe das coisas de lá, qual a diferença? Isso não faz de você um “paraguaio”. É tanta curiosidade, que nos esquecemos que os descendente apenas descendem de um outro povo, não significa que eles devem saber sobre seus antecedentes numa cultura totalmente diferente.

    Claro, um caso é um caso, outro caso é outro caso… rsrsr Só tentei expor o porque de alguns chamá-los de paraguaios… rsrsrs

    Até mais

  2. Tema muito complexo Eiti e eu realmente não consigo ver a exclusão e a panelinha com bons olhos de forma alguma, não importa os argumentos, mas enfim, é só a minha opinião. Em todo caso, a gente já contou junto juntos, almoçamos juntos e conversamos quase que diariamente e eu não sou japonesa, então vc se mistura SIM! rsrsrsrss

    Bjs

    • Eu também não acho isso com bons olhos e é uma pena que aconteça! Eu acho que o meu grande problema é que acho que eu também sou pouco receptivos a novas culturas, então não tenho contatos com pessoas pouco receptivas a novas culturas e isso tem relação por eu mesmo ter um pouco de problema com isso!

  3. Japão! Eu só sei que admiro demais esse país! A cultura, os “olhinhos puxados”, e a maneira de agir.
    Um povo admirável, que passou “por poucas e boas” (como se diz no Brasil), levantou-se recriou-se e deu a volta por cima!
    O Bairro da Liberdade, em São Paulo, já foi uma belezura! As lojas, cinema, feirinhas, e… restaurantes maravilhosos… Hoje, bem deteriorado, mas gosto de me lembrar dele, como era “nos bons tempos”!
    O que seria do Brasil sem a influência e a ajuda (em todos os sentidos) desse povo maravilhoso?
    Olha só, basta falar no Japão, para o adjetivo “maravilhoso” aparecer, “a torto e a direito”, como diria a minha avó.
    Hoje, moro longe de São Paulo, e a saudade danada, não larga do meu pé.
    Brasil, São Paulo e Japão, tudo a ver!
    Um abração da Ira (agora) de Vila Isabel.

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